Uma jornada do problema da dor até a esperança da glória
"No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo. Eu venci o mundo."
João 16:33Uma das maiores perguntas da humanidade é: "Se Deus existe e é bom, por que existe tanto sofrimento no mundo?"
O sofrimento está por toda parte. Guerras, doenças, tragédias, fome, abandono, traições, depressão, morte e injustiças. A verdade é que ninguém passa pela vida sem sofrer.
Mas a primeira coisa que precisamos entender é: Deus não criou um mundo cheio de sofrimento. Quando Deus criou todas as coisas, a criação era boa.
"E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom."
Gênesis 1:31O sofrimento entrou no mundo através da rebelião humana. O homem escolheu viver independente de Deus e, ao se afastar da fonte da vida, trouxe morte, dor e corrupção para a criação.
Deus não é o autor do mal moral. O mal é consequência da ausência do bem. O mal é resultado da rejeição de Deus.
Muitos questionam: "Mas Isaías não diz que Deus cria o mal?" O texto citado é:
"Eu formo a luz e crio as trevas, faço a paz e crio o mal."
Isaías 45:7Porém, o contexto não fala de mal moral. O texto fala de juízo, disciplina e consequências. Deus não cria pecado. Deus estabelece leis espirituais e morais que governam Sua criação. Quando o homem se rebela contra essas leis, colhe suas consequências.
Como dever de casa, leia atentamente:
Leitura: Deuteronômio 28Observe que Deus apresenta bênçãos para a obediência e consequências para a desobediência. Não é Deus produzindo maldade. É Deus estabelecendo leis e princípios espirituais que governam a vida.
O sofrimento não nasceu no coração de Deus. Nasceu da separação entre o homem e Deus.
Se Deus é bom, então por que Ele permite que o sofrimento continue existindo?
Porque, depois da queda, o sofrimento passou a cumprir uma função. Assim como a dor física protege o corpo, o sofrimento alerta a alma. A dor é um aviso de que algo está errado.
Imagine uma pessoa incapaz de sentir dor. Ela pisaria em um caco de vidro e continuaria andando. Seu corpo seria destruído sem que ela percebesse. Por isso os médicos entendem que a dor é um dos maiores mecanismos de proteção que possuímos.
Da mesma forma, o sofrimento revela que algo está profundamente errado neste mundo. Ele nos lembra que não fomos criados para esta condição. Ele nos faz olhar para cima. Ele nos faz buscar socorro.
Quantas pessoas encontraram Deus em meio à dor? Quantas descobriram Sua graça no meio do desespero?
A grande pergunta é: se tudo estivesse perfeitamente bem aqui embaixo, o homem buscaria o céu? Provavelmente não. Por isso o sofrimento possui um papel redentor. Ele aponta para nossa necessidade de Deus.
O cristão não foi chamado para fugir do sofrimento. Jesus nunca prometeu ausência de dor. Pelo contrário.
"No mundo tereis aflições."
João 16:33Seguir Jesus envolve carregar a cruz.
Nenhum dos grandes homens e mulheres de Deus passou pela história sem lágrimas. A cruz não é um acidente da vida cristã. A cruz é parte da caminhada cristã.
Porém, Deus não nos observa de longe. Ele sofre conosco. Ele é compassivo. Ele entrou na nossa dor. Ele experimentou nosso sofrimento.
E isso nos leva ao Calvário.
Antes mesmo da prisão, Jesus entrou em profunda agonia no Getsêmani. Lucas registra que Seu suor tornou-se como gotas de sangue. Esse fenômeno raro é chamado de hematidrose. Sob extremo estresse emocional, pequenos vasos sanguíneos se rompem e o sangue mistura-se ao suor.
Jesus já começava a sofrer antes mesmo da cruz.
Após sua prisão, veio a flagelação romana. Seu corpo foi dilacerado por chicotes compostos de tiras de couro contendo fragmentos de metal e osso. A cada golpe a pele era rasgada. A carne era exposta. O sangue escorria abundantemente.
Depois foi coroado com espinhos. Os espinhos penetraram profundamente o couro cabeludo, uma região extremamente vascularizada. O sangramento aumentou.
Então veio a caminhada até o Gólgota. Carregando a viga da cruz sobre os ombros já feridos, Jesus caiu diversas vezes pelo caminho. Ao chegar ao Calvário, suas roupas foram arrancadas. Como o tecido havia aderido às feridas, a remoção reabriu inúmeras lesões.
Em seguida, foi pregado na cruz. Os pregos provavelmente atravessaram a região dos punhos, lesionando nervos importantes. A dor irradiava pelos braços até o cérebro. Era uma dor intensa, contínua e lancinante.
Quando a cruz foi erguida, todo o peso do corpo passou a puxar os braços para baixo. Os músculos do tórax começaram a se contrair. Respirar tornou-se extremamente difícil. Para conseguir inspirar e expirar adequadamente, Jesus precisava empurrar o próprio corpo para cima usando os pés pregados.
A sede tornou-se intensa devido à enorme perda de sangue e desidratação. As cãibras musculares aumentaram. A asfixia progrediu lentamente.
Após horas de sofrimento físico extremo, Jesus declarou:
"Está consumado."
João 19:30E então entregou Seu espírito ao Pai.
Mas a cruz não é apenas uma história de sofrimento. A cruz é a história da vitória.
Por isso a Palavra declara:
"Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam."
1 Coríntios 2:9Por isso, o sofrimento presente não é a palavra final da história.
A cruz parece derrota para quem olha apenas o momento. Mas a cruz foi a maior vitória da história.
Quando Jesus morreu, Satanás pensou ter vencido. Quando o túmulo foi fechado, muitos pensaram que tudo havia terminado.
Mas ao terceiro dia a pedra foi removida. O Filho ressuscitou.
E porque Ele venceu, nós também venceremos.
Por isso Jesus declarou:
"No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo. Eu venci o mundo."
João 16:33Observe que Jesus não prometeu ausência de aflições. Ele prometeu Sua presença no meio delas. Ele não prometeu uma vida sem lágrimas. Ele prometeu vitória eterna. Ele não prometeu uma estrada sem cruz. Ele prometeu uma coroa ao final do caminho.
É por isso que Paulo escreveu:
"Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada."
Romanos 8:18Tudo aquilo que hoje parece pesado, eterno e insuportável será visto um dia à luz da eternidade.
Tudo terá valido a pena.
A pergunta então não é: "Como posso evitar todo sofrimento?" A pergunta é: "Estou disposto a sofrer por aquilo que vale a pena?"
Jesus não procurava apenas admiradores. Jesus procurava discípulos. Pessoas dispostas a dizer:
"Seja feita a tua vontade, e não a minha."
Lucas 22:42Foi isso que Ele fez no Getsêmani. Foi isso que os apóstolos fizeram. Foi isso que os mártires fizeram. Foi isso que os grandes homens e mulheres de Deus fizeram ao longo da história.
Eles entenderam que Deus escreve Sua história na terra através de pessoas que dizem "sim".
Jesus foi parceiro do Pai na redenção da humanidade. Ele poderia ter recuado. Ele poderia ter desistido. Mas escolheu obedecer.
E por causa desse "sim", milhões foram alcançados.
Hoje Deus continua procurando pessoas que digam "sim". Pessoas que ofereçam suas vidas como sacrifício vivo.
Conforme Romanos 12:1:
"Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional."
Romanos 12:1O Reino continua avançando através de homens e mulheres que entendem que o amor exige entrega. Que compreendem que o discipulado exige renúncia. Que sabem que existe um preço a ser pago.
Mas que também sabem que existe uma glória infinitamente maior aguardando aqueles que perseveram.
O sofrimento não é prova da ausência de Deus. Muitas vezes é justamente o lugar onde Sua presença se torna mais evidente.
E por causa da cruz existe esperança. Por causa da ressurreição existe futuro. Por causa de Cristo existe vitória.
Porque o dia está chegando. O dia em que toda lágrima será enxugada. O dia em que não haverá mais morte. Nem luto. Nem dor. Nem sofrimento.
Conforme está escrito:
"E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas."
Apocalipse 21:4Até aquele dia, permanecemos firmes.
Porque Ele venceu. E porque Ele venceu, nós também venceremos.